O transtorno de ansiedade na infância pode levar a criança a sofrer com: ataque de pânico; transtorno de pânico com ou sem agorafobia; fobias específicas e fobia social; transtorno obsessivo-compulsivo; transtorno de ansiedade generalizada; transtorno de estresse pós-traumático; transtorno de estresse agudo; transtorno de ansiedade devido a uma condição médica, induzido por alguma substância ou sem outra especificação. A criança pode receber qualquer um destes diagnósticos. O transtorno de ansiedade de Separação é o único definido como exclusivo da infância e da adolescência, e é sobre ele que iremos falar neste artigo.

Como acontece o transtorno de ansiedade na infância?

Mesmo sendo comum a existência de transtornos ansiosos na infância, os pais têm dificuldade para identificá-los e buscar auxílio médico. Depois do TDAH, a ansiedade é o transtorno comportamental que mais leva crianças aos consultórios de neuropediatras e psiquiatras. Estudos norte-americanos estimam que de 8 a 12% das crianças sofrem com esta psicopatologia. No Brasil pesquisas apontam entorno de 4,6% das crianças. Geralmente o motivo que incentiva os pais a buscarem esse auxílio está relacionado a problemas de comportamento, relacionamento, rendimento escolar ou sintomas somáticos (dor de cabeça, tonturas, dores abdominais, etc.).

A ansiedade patológica leva a criança desenvolver estratégias compensatórias para evitar o contato com aquilo que lhe causa temor. Além do consequente prejuízo funcional imediato, implicações de médio e longo prazo possíveis são a diminuição de autoestima e o desinteresse pela vida. Quando o transtorno não é tratado adequadamente, há possibilidade do progressivo agravamento ao longo da vida.

Quais são as principais causas que levam ao aparecimento dos TAs?

O transtorno de ansiedade de separação caracteriza-se pela experimentação de ansiedade excessiva em função do afastamento de casa ou de figuras paternais ou que possa ter vínculos.

Devemos lembrar que a reação emocional exagerada diante do afastamento dos pais pode fazer parte do funcionamento normal de crianças muito pequenas. Este comportamento pode ser frequentemente observado em crianças até a idade pré-escolar, devido à insegurança gerada pela ausência dos cuidadores. A ansiedade de separação se configura como um transtorno quando se torna inadequada para o grau de desenvolvimento ou quando interfere no funcionamento da vida diária do indivíduo.

Estes são os sintomas mais frequentes:

  1. Sofrimento excessivo e recorrente frente à ocorrência ou previsão de afastamento;
  2. Preocupação persistente e excessiva acerca de perigos envolvendo os pais ou a si próprio;
  3. Recusa ou relutância a ir para a escola, ou para outros lugares, desacompanhado;
  4. Temor excessivo de ficar sozinho em casa;
  5. Dificuldades para adormecer sem uma figura de vinculação ou para dormir fora de casa;
  6. Pesadelos frequentes envolvendo o tema separação e queixas somáticas (dores ou leves doenças orgânicas) persistentes.

Se a criança apresenta três ou mais sintomas é importante procurar um profissional da área de saúde para fazer o diagnóstico e iniciar o tratamento.

Além destes sintomas, os prejuízos nas áreas social, acadêmica, esportiva, entre outras, devem ser clinicamente significativos e os sintomas devem estar presentes por pelo menos um mês. Além disso, o quadro clínico não deve ocorrer durante o curso de outros transtornos, tais como o transtorno global do desenvolvimento ou a esquizofrenia.

As crianças que apresentam este quadro têm um medo irreal de que algo prejudicial aconteça com eles ou com seus pais, quando se afastam, de modo que não seja possível o reencontro. As preocupações mais frequentes com relação aos pais são ferimentos graves ou morte. A própria criança ou adolescente pode temer ser sequestrado ou se perder de seus pais. Estas preocupações podem ocorrer tanto em estado de vigília como durante o sono.

Quando aparecem os sintomas de transtorno de ansiedade na infância??

Embora o transtorno de ansiedade de separação possa ocorrer em qualquer idade antes dos 18 anos, existe uma maior frequência deste transtorno na faixa etária que vai dos sete aos nove anos de idade. Preocupação e pensamentos trágicos sobre os pais parecem estar associados a crianças com idades entre 5 e 8 anos. Protestos ou acessos de raiva, falta de concentração e apatia são mais frequentes em crianças maiores (entre 9 e 12 anos). Queixas somáticas e recusa escolar são comuns em adolescentes. Parece não existir distinção na expressão destes sintomas entre meninos e meninas.

Qual a forma de tratamento?

O uso de medicação no tratamento dependerá da idade da criança, quanto mais novo menos é recomendado. Sendo quadros muito graves o médico especializado receitará a medicação para estabilizar o quadro, podendo retira-lo ao longo do tratamento. O que é recomendado é a psicoterapia com a criança e com os cuidadores, tendo eficácia em 80% dos casos clínicos, de acordo com as pesquisas realizadas nas instituições especializadas em saúde mental infantil.

Os cuidados às crianças são fundamentalmente relacionados aos relacionamentos envolvidos com os cuidadores (pais). A família, indiferente de seu formato, deve manter os fatores básicos bem estabelecidos, como afetividade, atenção e educação. Cuidar bem das crianças é cuidar bem do futuro da humanidade.

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