Um exame muito solicitado pelos médicos é a análise do sedimento urinário, conhecida como EAS, exame de urina simples ou urina do tipo 1. A gente pode afirmar com uma pequena margem de erro que “Todo mundo já teve ou terá infecção urinária em algum momento da vida”. Para algumas pessoas, a infecção urinária é um problema crônico conhecido como infecção urinária de recorrência (que acontece várias vezes durante o ano).Mas qual a importância deste exame?

Este exame, juntamente com a urocultura e antibiograma, é fundamental para se assegurar a melhor estratégia terapêutica capaz de tratar o microrganismo causador da infecção urinária. Além disso, o exame de urina é indicado para o diagnóstico e monitoramento de doenças renais, metabólicas, hepáticas e também, desordens hemolíticas.

Como é feito o Exame de urina simples

No exame de urina são realizadas algumas etapas, que são análise física, química e microscópica.

Análise Física: características macroscópicas (visuais)

  • Cor: tem tonalidades variadas de amarelo. Cores incomuns podem ser causadas por doenças, medicamentos e alimentos.
  • Aspecto: geralmente a urina é transparente (límpida), mas pode ficar turva pela presença de cristais, muco ou esperma (geralmente não indicam doença), ou por contaminantes, como loções ou talcos. A turvação pela presença abundante de leucócitos, hemácias ou bactérias sempre deve ser investigada.

Análise Química

  • Densidade: quantidade total de substâncias dissolvidas na urina, em comparação com a água pura, que não tem substâncias diluídas. Densidades baixas indicam hidratação excessiva, e altas indicam desidratação.
  • pH: depende da quantidade de ácidos e bases na alimentação e do estado do equilíbrio ácido-base do corpo. Não há valores anormais de pH urinário. A urina geralmente é levemente ácida (pH de 5,0 a 6,0), mas dependendo da alimentação, os valores variam bastante (de 4,5 a 8,0).
  • Presença de glicose, proteínas, cetonas, bilirrubina, urobilinogênio, hemoglobina e nitrito.

Análise Microscópica

  • Células: Algumas células epiteliais da uretra e da bexiga são encontradas na urina. Já as células renais são menos comuns. Quando há inflamação ou infecção das vias urinárias, o número de células aumenta. O tipo celular indica em qual parte da via urinária está ocorrendo o processo inflamatório.
  • Bactérias: a urina é estéril, ou seja, não são observados microorganismos no sedimento urinário. Bactérias da pele circundante podem penetrar na uretra e causar uma infecção urinária. Erros na coleta podem ocasionar a contaminação da urina com bactérias da mão ou da genital.
  • Leucócitos: Números aumentados indicam infecção das vias urinárias.
  • Hemácias: Seu aumento ocorre quando há inflamação ou lesão dos rins ou das vias urinárias. A coleta inadequada pode contaminar a urina com sangue menstrual ou das hemorroidas.
  • Leveduras: podem ser encontradas na urina, especialmente em mulheres com infecção vaginal por fungos.
  • Tricomonas: são parasitas encontrados na urina, especialmente de mulheres. Em geral, a infecção principal é vaginal.
  • Cilindros: partículas de proteína coagulada que se formam nos túbulos renais, onde adotam sua forma característica. Um pequeno número de cilindros hialinos é normal. Números maiores sugerem doenças renais.

Cuidados na hora de fazer a coleta

Para se obter uma boa amostra e garantir um bom resultado, é de suma importância realizar a coleta de forma mais criteriosa possível, seguindo as seguintes instruções:

  • Deve-se coletar preferencialmente a primeira urina da manhã ou, em casos urgentes, respeitar um intervalo mínimo de 2 horas após a última micção;
  • Higienizar a região genital utilizando água corrente e sabonete;
  • Secar bem o local higienizado com uma toalha limpa;
  • Iniciar a micção, desprezando o primeiro jato da urina no vaso sanitário e colher a porção intermediária (jato médio) no recipiente. Não tocar no interior do recipiente;
  • Fechar bem o tubo com a tampa e levar ao laboratório em no máximo 1 hora
  • Evitar a ingestão excessiva de líquidos antes da coleta de urina.

Observação importante: Mulheres, evitar a coleta de urina no período da menstruação ou se estiver usando cremes vaginais. Recomenda-se esperar 3 dias após o término para fazer a coleta.

O que é a cultura de urina (urocultura)?

A cultura de urina ou urocultura é um exame complementar do exame de urina simples em casos de sintomas de infecção urinária, como micção frequente e dolorosa. Ela detecta e identifica bactérias e leveduras na urina. Além disso, é feito o antibiograma, que são testes de sensibilidade do microrganismo aos antibióticos para orientar o tratamento da infecção.

Na cultura de urina, uma pequena amostra de urina é espalhada em placas que contêm meio nutritivo, e são incubadas à temperatura do corpo. Os microrganismos presentes na amostra de urina crescem nesse meio, formando colônias. O tamanho, o formato e a cor das colônias ajudam a identificar o microrganismo. O número de colônias indica a quantidade presente na amostra original. Os microrganismos são submetidos a testes bioquímicos que permitem sua identificação detalhada.

Algumas curiosidades sobre a infecção urinária

Infecções urinárias são mais comuns em mulheres que em homens, devido a anatomia do trato genital. Até mesmo meninas crianças podem ter infecções frequentes.

Para verificar a causa da infecção urinária, podem ser solicitados outros exames para detectar obstrução do fluxo urinário ou anormalidades estruturais das vias urinárias, o que facilita o surgimento de infecções.

Em pessoas que tem infecções urinárias de repetição, a cultura e o antibiograma devem ser repetidos em cada episódio porque, com o tempo, as bactérias que as causam tornam-se resistentes aos antibióticos.

Pessoas com doenças renais ou que afetam os rins, como diabetes, estão mais sujeitas a infecções urinárias repetidas.

Referências

Pagana, Kathleen D. & Pagana, Timothy J. ( 2007). Mosby’s Diagnostic and Laboratory Test Reference 8th Edition: Mosby, Inc., Saint Louis, MO. Pp 981-983.

Wu, A. (2006). Tietz Clinical Guide to Laboratory Tests, Fourth Edition. Saunders Elsevier, St. Louis, Missouri. Pp 1621-1622.

Thomas, Clayton L., Editor (1997). Taber’s Cyclopedic Medical Dictionary. F.A. Davis Company, Philadelphia, PA [18th Edition]. Pp 2037-2038.

Forbes, B. et. al. (2007). Bailey & Scott’s Diagnostic Microbiology, Twelfth Edition: Mosby Elsevier Press, St. Louis, Missouri. Pp 842-855.

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