Nessa entrevista com o Dr. Celso Borges Cruz, neuropsicólogo e educador, abordamos um tema que pode revolucionar o sistema de ensino – a educação positiva.

Você conhece a educação positiva?!

Este conjunto de práticas é uma tendência cada vez mais popular quando o assunto é educação infantil.

A educação positiva já tem muitos adeptos no Brasil e não são somente os pais que estão entrando nesse universo. Psicólogos, professores e gestores também estão descobrindo as vantagens dessa proposta na educação das pessoas.

Quer saber mais sobre o tema? Nessa entrevista com o Neuropsicólogo Dr. Celso Borges Cruz, nós iremos abordar pontos centrais da educação positiva e de como a psicologia percebe a importância da mudança no sistema de educação vigente.

Dr. Celso, explica para a gente o que é educação positiva e qual a sua percepção sobre esta tendência no cenário de educação contemporâneo nacional? 

(Dr. Celso B. Cruz): A Educação Positiva veio como uma tendência da Psicologia Positiva, explorando aspectos diferentes da educação tradicional. A visão é potencializar o que os educandos possuem de facilidade no processo da aprendizagem, enquanto a educação tradicional foca na dificuldade dos estudantes. Isto é uma grande inovação na educação, tornando o processo menos frustrante e trás mais envolvimento entre professores e alunos, permitindo o desenvolvimento criativo e o fornecimento de uma liberdade maior durante o aprendizado. O aluno deixa de ser um copo vazio, tornando-o co-autor e ativo no processo de aprendizagem.

Eu penso que há uma tendência nossa de acreditar que a nossa educação é melhor do que a educação atual, eu vejo amigos dizendo, as vezes eu mesmo me pego dizendo frases do tipo: …”quando eu era pequeno, na escola, se eu teimasse ou brigasse na escola, chegando em casa eu ainda apanhava do meu pai ou da minha mãe”… e acreditamos que aquele tipo de correção foi o que nos deixou “mais educados”. A minha provocação é, o quão somos ignorante de achar que punição e educação estão diretamente relacionadas. Inclusive, tenho amigos que até hoje acreditam que por terem sido punidos quando pequeno, hoje são pessoas de caráter e bem educadas. Dr. Celso, o que a psicologia pode nos dizer sobre isso?

(Dr. Celso B. Cruz): O psicólogo que introduziu, de uma forma mais elaborada, a ideia de punição, foi Skinner. Após ter testado clinicamente o reforço positivo, o reforço negativo e a punição, dentro dos processo de aprendizado, ele percebeu que, o que gera menos mudança comportamental a médio e a longo prazo era a punição. A curto prazo surte efeito, mas não se mantém os resultados, com o objeto retomando o comportamento anterior. Seguindo o princípio de dor e prazer, o que mais ajuda a criar um novo comportamento é o prazer. Por isto, a punição não gera as novas contingências que buscamos, os novos comportamentos, mais adequados ao ecossistema educacional.

Na prática, o Sr. acha que este  método pode funcionar de fato? Quais os cuidados os pais e educadores precisam ter para obter o sucesso esperado dessa metodologia? Existe um passo-a-passo que pode facilitar a implementação?

(Dr. Celso B. Cruz): O processo mais funcional para a nova geração é o de participação e o de co-aprendizado. Com a introdução das redes sociais, sistemas de pesquisa e a facilidade de informação, proporcionada pela Internet, hoje os alunos tem muitas outras opções de ensino, que também podem agregar valor e agilidade. A Educação Positiva, na escola, na família e na sociedade, modifica os núcleos e constroem novas formas de relacionamento. Dizer que a forma anterior de educar uma criança era melhor por ele não responder, por medo de perder os “dentes da boca”, não é mais interessante. Assim, estaríamos formamos uma geração por meio do medo. E sabemos que os avanços surgem através dos riscos e a busca dos novos desafios. O medo é prudente, mas o seu exagero, é uma forma de paralisar a evolução e o desenvolvimento. Apoiar, estimular e orientar a criança na direção correta se torna mais eficaz. Agora, devemos compreender uma coisa, não é 0 e nem 80. Precisamos sim ser firmes, colocar limites e estabelecer critérios com a criança. Mas, não precisamos utilizar a violência para isto. Partir para uma educação inteligente, com estratégias bem elaboradas de acordo com cada criança, este é o caminho.

Você consegue ver algum ponto negativo deste método? Qual seria?

(Dr. Celso B. Cruz): Todos os métodos possuem suas dificuldades. Vejo a dificuldade voltada mais para as questões humanos que direciona o próprio método. Tudo que é extremista não pode fazer parte do processo educacional. As peculiaridades existentes em cada indivíduo devem ser percebidas e trabalhadas. Como os outros métodos, a generalização e a uniformização, podem trazer graves consequências. Como disse antes, educação positiva não é criar uma liberdade aberta, isto é libertinagem. Os adultos são responsáveis pelas crianças, devem direciona-las e fornecer estrutura adequada para o desenvolvimento. Tem crianças que precisam de mais limites e outras que precisam de serem estimuladas. Não somos seres iguais, por isto compreender a criança, o processo, a relação que existe e sua limitação-potencialidade é fundamental. Eu acredito que agregar outros métodos a educação positiva favorece e oportuniza uma educação mais ampla e eficaz. Não podemos deixar os modismos assumir o papel principal, mas sim, uma inteligência afetiva essencial para o aprendizado.

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1 comentário

  • Nao ha uma rece 0 ita universal para lidar com a falta de disciplina dos filhos. No entanto, os avancos nos estudos da psicologia do desenvolvimento, entre outras areas, contribuem para que cada vez mais a ideia de uma educacao rigorosa e violenta seja deixada para tras. No lugar de gritos e punicoes, a disciplina positiva e uma alternativa bem-vinda.

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