Quando falamos em doenças respiratórias, diversos nomes surgem em nossa mente: resfriado, rinite, asma. Elas são doenças tão comuns que você provavelmente já teve ao menos uma delas. Mas como elas acontecem? Como é o processo infeccioso? Se elas são tão comuns, os nossos anticorpos não deveriam “bloquear” a ação delas? Como isso tudo acontece?

Pois bem, você sabia que o pulmão é o órgão mais exposto aos contaminantes do ambiente externo?

Embora tenhamos um refinado sistema de defesa, o sistema imunológico, infelizmente, alguns destes contaminantes ainda conseguem se infiltrar no nosso organismo e causar doenças respiratórias.

As doenças respiratórias representam 5 das 30 causas mais comuns de morte em todo mundo. É um número assustador! Por isso, iremos falar um pouquinho sobre quais são as principais doenças respiratórias e como podemos preveni-las.

RESFRIADO E GRIPE

Resfriado e gripe é tudo  igual?

A resposta é não! O resfriado é uma doença respiratória que causa uma infecção do trato respiratório superior cujo os principais sintomas são tosse, dor de garganta, febre baixa, congestionamento nasal, coriza e espirros. Pode ser causado por diferentes tipos de vírus, sendo o rinovírus o causador pela maior parte dos casos. Outros vírus causadores são o coronavírus, adenovírus, vírus respiratório sincicial e vírus parainfluenza.

A gripe é uma doença respiratória caracterizada pela infecção aguda do sistema respiratório. Os principais sintomas incluem dor de garganta, tosse, dor no corpo e na cabeça, calafrios, febre, mal-estar, coriza, prostração e fadiga. Em alguns casos podem ocorrer diarreia e vômito.

O agente causador da gripe é o vírus da influenza, que se propaga facilmente e é responsável por elevadas taxas de hospitalização. A vacina é considerada uma das medidas mais eficazes para evitar casos graves e óbitos por gripe.

É importante lembrar que para se prevenir da gripe ou resfriado, você pode adotar hábitos simples, como: lavar as mãos frequentemente e sempre após o contato com pessoas doentes ou superfícies/utensílios públicos. Caso não tenha acesso à água e sabão, utilize o álcool em gel para desinfetar as mãos. Outra dica valiosa é tomar sol. Pessoas com níveis baixos de vitamina D estão mais propensas a terem doenças respiratórias.  O consumo de peixes, produtos lácteos e suplementos são recomendados para se obter a dosagem de vitamina D de 1.000 UI recomendados por dia. Hábitos saudáveis como a correta ingestão de líquidos e prática de atividades físicas também são fundamentais para manter o sistema imunológico sempre equilibrado e responsivo.

Gripe/Resfriado X Alteração Climática

Mudanças no clima e ambientes frios não são as causas destas doenças respiratórias. O que acontece é que nos meses de frio, as pessoas passam mais tempo em ambientes fechados e ficam mais próximas, facilitando assim a propagação do vírus. A baixa umidade também pode aumentar a prevalência, já que os vírus causadores sobrevivem melhor em condições de baixa umidade.

RINITE ALÉRGICA

A rinite é uma doença respiratória que causa a inflamação da mucosa nasal. Os sintomas mais comuns são coriza, espirros, obstrução e coceira no nariz. Podem ocorrer desconfortos oculares, como lacrimejamento, coceira e vermelhidão. Os principais alérgenos ambientais que causam a rinite são os ácaros, baratas, fungos, epitélio, urina e saliva de animais (cães e gatos). Fumaça do cigarro e alguns produtos de limpeza e construção desencadeiam a rinite por mecanismos não imunológicos.

A rinite é prevenida pela redução da exposição á fatores que possam desencadear uma crise, como ácaros, mofo, tabagismo ativo e passivo, retirar animais domésticos (se comprovada sensibilização), evitar odores fortes e locais de poluição atmosférica. Prevenir o sobrepeso, praticar atividades físicas e adquirir conhecimento sobre as medicações utilizadas durante as crises causam um grande impacto sobre o controle desta doença respiratória.

ASMA

A asma é uma doença respiratória que provoca a inflamação das vias aéreas. Os sintomas incluem falta de ar ou dificuldade para respirar, sensação de aperto no peito, chiado e tosse. A asma pode ser causada por fatores de risco do próprio do paciente (aspectos genéticos, obesidade e sexo masculino, durante a infância) e fatores ambientais (exposição à poeira domiciliar e ocupacional, baratas e algumas infecções virais).

É possível prevenir esta doença respiratória evitando o tabaco e a exposição passiva à fumaça, remover alérgenos ou irritantes, principalmente o mofo e a umidade. O uso de medicação de manutenção previne as crises e diminui o agravo da função pulmonar, além de reduzir as hospitalizações e a mortalidade.

DOENÇA PULMONAR OBSTRUTIVA CRÔNICA (DPOC)

A DPOC é uma doença respiratória caracterizada por limitação do fluxo de ar nos pulmões. Os principais sintomas são falta de ar persistente, que piora com esforço físico e tosse crônica. A causa mais importante que leva ao desenvolvimento da DPOC é o tabagismo, devida destruição do tecido pulmonar (enfisema) e obstrução das pequenas vias aéreas com inflamação e muco (bronquite crônica). Poluição domiciliar (fumaça de lenha, querosene), exposição a poeiras e produtos químicos, infecções respiratórias recorrentes na infância, suscetibilidade individual, desnutrição na infância e deficiências genéticas são outros importantes fatores de risco.

Uma prioridade na prevenção desta doença respiratória é desencorajar o paciente a fumar e incentivar os fumantes a reduzir e parar de fumar. Dispositivos que diminuem exposição a fumaça em ambientes internos diminuem o risco de infecções respiratórias em crianças e não fumantes. As vacinas na infância e tratamento rápido de infecções do trato respiratório inferior minimizarão as lesões das vias aéreas que predispõem à DPOC na idade adulta.

Podemos perceber que para prevenir as doenças respiratórias devemos adotar hábitos saudáveis que incluem boa alimentação, hidratação, prática de exercícios, higienização das mãos, evitar o contato com o tabaco e contaminantes ambientais, dentre outras condutas.

E lembre-se que no surgimento de qualquer sintoma, é necessário procurar orientação médica especializada.

Gostou desse artigo? No nosso #blogPaulaTostes você encontra muito mais 🙂

Boas leituras!

 

REFERÊNCIAS

BRASIL, Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção Básica. Doenças respiratórias crônicas / Ministério da Saúde, Secretaria de Atenção à Saúde, Departamento de Atenção Básica. – Brasília: Ministério da Saúde, 2010. 160 p.: il. – (Série A. Normas e Manuais Técnicos) (Caderno de Atenção Básica, n. 25).

BRASIL, Ministério da Saúde. Secretaria de Vigilância em Saúde. Vademecum Simplificado – Influenza: Aprender e cuidar. Secretaria de Gestão de Trabalho da Educação em Saúde, 2009. 22p.

Foro de las Sociedades Respiratorias Internacionales. El impacto global de la Enfermedad Respiratoria – Segunda edición. México, Asociación Latinoamericana de Tórax, 2017.

Acesso em 05/08/2021.

Post Relacionados

Deixar comentário.

Share This