A bexiga hiperativa é um problema pouco conhecido, mas extremamente comum. Estima-se que cerca de 15 a 20% da população sofra deste distúrbio, que é provocado por uma redução da capacidade da bexiga de armazenar a urina.

Estudos epidemiológicos da América do Norte têm relatado prevalência em mulheres de 16,9%. A prevalência aumenta com a idade, subindo para 30,9% naquelas com idade superior a 65 anos.

A origem da Bexiga Hiperativa é desconhecida. A predisposição genética parece ter papel importante e mulheres com história familiar de incontinência urinária em mãe e irmã̃ apresentam maior risco de desenvolver bexiga hiperativa. Outros fatores associados com bexiga hiperativa incluem obesidade, tabagismo, consumo de bebidas carbonatadas e cafeína.

A bexiga hiperativa é um síndrome que se caracteriza pelos seguintes sintomas: urgência urinária, que pode vir acompanhada ou não de incontinência urinária, aumento da frequência das micções ao longo do dia e necessidade de levantar à noite para urinar várias vezes.

Caso não tratada adequadamente, a bexiga hiperativa pode provocar grande redução da qualidade de vida do paciente, principalmente naqueles que não conseguem ter uma contínua noite de sono.

Neste artigo vamos explicar o que á bexiga hiperativa, quais são os seus principais sintomas, como se chega ao diagnóstico e quais são as opções de tratamento mais utilizadas no momento.

O que é a bexiga hiperativa?

Para que possamos entender o que é a bexiga hiperativa, precisamos antes conhecer como funciona o processo de enchimento e esvaziamento da bexiga. Utilize a ilustração abaixo para acompanhar as explicações.

A bexiga é basicamente um órgão oco revestido por uma camada muscular chamada de músculo detrusor. Esse músculo é inervado e controlado por fibras nervosas que vêm da medula espinhal. O músculo detrusor relaxa para acomodar a urina nos momentos em que a bexiga está enchendo, e contrai-se, de forma a expulsar a urina, quando a bexiga está cheia.

O normal enchimento e esvaziamento da bexiga resultam de uma coordenação complexa entre sinais idos e vindos ao e do sistema nervoso central (SNC), e a contração ou relaxamento do músculo detrusor, dos músculos do assoalho pélvico e do esfíncter externo. Vamos explicar melhor.

Quando a bexiga está em processo de enchimento, o sistema nervoso central envia sinais para que o músculo detrusor relaxe e permita acomodar a urina sem que haja relevante aumento de pressão dentro da bexiga. Uma bexiga normal consegue acomodar facilmente cerca de 500 a 600 ml de urina. Porém, por volta dos 350-400 ml, o aumento da pressão nas paredes da bexiga estimula o envio de sinais para que o sistema nervoso reconheça um aumento de volume urinário e desencadeie a vontade de urinar.

Neste momento, você sente vontade de urinar, mas, caso deseje, consegue segurar a urina por mais tempo graças a nossa capacidade de contrair os músculos do assoalho pélvico e do esfíncter externo, o que fecha a passagem da urina em direção à uretra. O ato de urinar, portanto, é uma ação voluntária, que, respeitando-se alguns limites, só ocorre quando nós decidimos.

Na hora em que achamos conveniente urinar, o detrusor se contrai e os músculos do assoalho pélvico e do esfíncter externo relaxam, permitindo que a urina seja empurrada em direção à uretra.

A bexiga hiperativa é um problema que surge por mau funcionamento do músculo detrusor, que não relaxa adequadamente durante a fase de enchimento da bexiga. A falta de relaxamento da bexiga faz com que a pressão interna aumente mesmo com pequenos volumes de urina, o que, na prática, significa a ativação da vontade de urinar com frequência muito maior do que o normal.

Muitas vezes, o detrusor não só não relaxa, como começa a se contrair de forma involuntária, tentando expulsar a urina presente dentro da bexiga. O resultado dessa contração involuntária é o que chamamos de urgência urinária, que é uma súbita e urgente necessidade de urinar.

Fatores de Risco

Vários fatores de risco estão associados com bexiga hiperativa. O risco é aumentado em pessoas brancas e pessoas com diabetes insulinodependente. Os indivíduos com depressão têm três vezes mais chances de desenvolver bexiga hiperativa. Idade acima de 75 anos, artrite, terapia de reposição hormonal oral e aumento do IMC (índice de massa corpórea) também são fatores de risco.

As mudanças fisiológicas associadas ao envelhecimento, como a diminuição da capacidade da bexiga e as alterações no tônus muscular, favorecerem o desenvolvimento da bexiga hiperativa . Talvez a mudança na função vesical mais importante relacionada com a idade que causa a incontinência urinária é o aumento do número de contrações involuntárias do detrusor (músculo que durante a micção se contrai para expulsar a urina da bexiga).

Qualquer interrupção na integração da resposta neurológica e musculoesquelética pode levar à perda do controle normal da função vesical e incontinência de urgência.

Diagnóstico

O diagnóstico da bexiga hiperativa é habitualmente feito através de uma cuidadosa avaliação da histórica clínica do paciente e do exame físico. Uma análise simples de urina para descartar infecção urinária também costuma ser feita.

O teste de urodinâmica, que é um exame feito para avaliar o quão bem os sistema urinário consegue armazenar e eliminar a urina, pode auxiliar no diagnóstico dos casos mais complexos

Tratamento

O tratamento da bexiga hiperativa é dividido em 3 modalidades: 1. terapia comportamental, 2. medicamentos e 3. cirurgia. A escolha do modo mais adequado de tratamento para cada paciente depende da intensidade dos seus sintomas e do quanto o quadro interfere na sua qualidade de vida.

A combinação entre medicamentos e terapia comportamental costuma ser eficaz na maioria dos casos, ficando a cirurgia restrita aos poucos casos mais difíceis de serem controlados.

Fonte:

www.mdsaude.com

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